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quarta-feira, 8 de junho de 2016

She's Beautiful When She's Angry é documentário para entender o Feminismo

Daqueles filmes mais relevantes pela urgência do tema do que pela qualidade cinematográfica em si, She’s Beautiful When She’s Angry, de 2014, é um documentário que conta a história de luta das feministas nos EUA dos anos 60 e 70.



Por meio de depoimentos de várias mulheres responsáveis pelo momento mais efervescente dos movimentos de liberação feminina, o filme revela como essa luta foi responsável por transformar o mundo, com conquistas que, muitas vezes, em nossa santa ignorância, não fazemos ideia de que só existem até hoje graças à radicalização da luta, graças a essas mulheres que viveram a causa em completa entrega.

Há vários trechos relevantes de discursos e reflexões. Porém, o filme perde um pouco de sua força dramática ao preferir ser um grande painel, escolhendo narrar os fatos por muitos olhares (o que é louvável em um documentário), mas deixando de se aprofundar nas histórias pessoais das personagens. Talvez essa escolha tenha a ver com o fato de que, realmente, a causa feminista é, em si, a grande personagem da história.

É interessante observar, também, como esse movimento foi rechaçado, inclusive, pelos homens que lutavam ao lado das mesmas mulheres nas causas de esquerda. Ao falarem por si mesmas, tomando a frente dos discursos, foram hostilizadas, ameaçadas de estupro e morte. 

Outro ponto importante abordado pelo documentário são os conflitos gerados pelo desafio de se agregar, dentro de uma causa ampla, suas importantes particularidades: as necessidades das mulheres negras e das lésbicas feministas, por exemplo, dentro de um grande movimento.



O documentário causa impacto ao revelar que, ao mesmo tempo em que se lutava pelo direito à assistência de saúde, a métodos contraceptivos e à legalização do aborto, havia um terço da população feminina de Porto Rico sendo esterilizada. Para carolas, coxinhas e machistas que costumam cagar opinião sobre o movimento, entender que essas mesmas mulheres também lutavam pelo direito à maternidade é um belo tapa na cara.

Durantes os depoimentos, as palavras ódio e fúria são repetidas inúmeras vezes, reforçando que tudo o que foi conquistado não existiria sem esses sentimentos e que, em uma sociedade sufocantemente patriarcal, nada viria por meio de atos pacifistas e suas pombas brancas. Foi preciso desafiar, expor, mobilizar, fazer greve e lutar.

O filme também lembra a todos que essa luta deve ser contínua, que o atual retrocesso visto nas legislações de diversos países mostra que um direito conquistado sempre pode ser tomado de volta. Em tempos bicudos como os de hoje, com casos cada vez mais revoltantes de misoginia, abuso e violência, entender o feminismo para apoiar suas causas ou, pelo menos, não sair falando besteira em rede social, é urgente. Para isso, assistir à She’s Beautiful When She’s Angry é um belo primeiro passo.

O filme está disponível na netflix.

Classificação: 3 / 5

sábado, 28 de maio de 2016

E se somássemos pequenas grandes atitudes ao nosso textão "caça like"?

E se todo mundo combinasse de trocar aquele textão fenomenal no facebook por pequenos grandes gestos em ambientes com menos plateia? Alguns textões são fundamentais, é fato... Mas e se, ao menos, somássemos a eles algumas atitudes em nosso dia a dia? Contrariando a regra dos 501 caracteres para posts no blog (regra merda), segue uma lista com 5 recomendações da SalaFlita para irmos um pouco além da vaidade estimulada pelas curtidas dos coleguinhas, em nossa luta por um mundo melhor:


  • Que tal, ao postar sobre sua luta contra a cultura do estupro, você também constranger, escrotizar aquele amiguinho do grupo do whats que te envia vídeos objetificando mulher? 
  • Que tal, para cada 100 postagens mostrando o quanto o planeta é um lugar privilegiado por ter nele um ser humano tão maravilhoso como você, você realizar, ao menos, um único trabalho voluntário que seja? 
  • E se, para cada post reclamando sobre a falta de empatia no mundo, você parasse para ouvir de verdade seu amiguinho, e não entendesse diálogos como disputas onde vence quem tem a maior história de sofrimento e/ou superação pra contar? 
  • Imagine que louco seria se, a cada novo protesto virtual sobre a perda do poder de compra do seu dinheiro ou sobre o quão cruel é a lógica capitalista, você doasse a alguém aquilo que já não utiliza mais, e não insistisse em revendas mesquinhas, por exemplo? 
  • E que tal, então, ao se dizer feminista naquela postagem lacradora, você realmente tentasse agir como tal, não renegando as próprias conquistas e deixando os rumos da sua vida serem conduzidos pelas mãos de um(a) parceiro(a)? Seria bem legal também não ficar por aí vilificando mulheres bonitas ou bem-sucedidas, não rotulando aquelas que têm, como único “defeito”, não se parecerem com você, ou, num olhar mais profundo, odiando aquelas que refletem muito do que você não entende/aceita em si mesma. 
Certo! Mas, e a SalaFlita? Também não está postando textão por vaidade? Por mais audiência, likes? O agir de um blog já não é a escrita em si? Mas não poderia ser mais do que isso?

Humm...